Hugo Motta sinaliza que não colocará em pauta proposta que gera impacto fiscal bilionário e divide opiniões no Congresso.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou a aliados que não pretende pautar o projeto de renegociação de dívidas rurais aprovado recentemente pelo Senado. A proposta, vista como uma bomba fiscal pela equipe econômica do governo, tem estimativa de custo de R$ 140 bilhões em 13 anos, valor contestado pela Frente Parlamentar da Agropecuária, que calcula um impacto menor, de R$ 65 bilhões.
O projeto cria uma linha especial de crédito para agricultores renegociarem dívidas, inicialmente direcionada aos produtores do Rio Grande do Sul, estado afetado por enchentes e estiagens. Na Câmara, houve tentativa da bancada ruralista de estender o benefício também para estados do Nordeste, iniciativa que Motta, natural da Paraíba, optou por frear devido ao alto custo fiscal.
Antes da aprovação no Senado, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), consultou Motta sobre a possibilidade de pautar o tema na Câmara, mas o deputado paraibano afirmou não conhecer o texto e não se comprometeu com a votação. Apesar da pressão do governo para evitar a votação, Alcolumbre incluiu o projeto na pauta do Senado.
Motta tem demonstrado preocupação com o impacto político das divergências entre o presidente Lula e Alcolumbre, especialmente após a rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, que tem afetado o andamento das votações no Congresso. O presidente da Câmara defende a necessidade de uma reconciliação entre o Executivo e o Legislativo, ressaltando que o diálogo entre os presidentes das Casas é fundamental para o funcionamento do Parlamento.
O deputado reforçou que as pautas de apoio ao agronegócio precisam de limites e que não é viável aprovar todas as demandas da bancada ruralista, considerando o cenário fiscal e as prioridades do país.
