Presidente dos EUA defende mudança no nome da tecnologia para reforçar liderança americana, mas especialistas veem mais estratégia política que técnica.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem insistido na adoção do termo “superinteligência” para substituir o tradicional “inteligência artificial” (IA), expressão usada há mais de sete décadas. A proposta foi destacada em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, quando afirmou que o nome atual “faz soar como se a tecnologia fosse falsa” e que deseja que documentos oficiais americanos e internacionais adotem o novo termo.
Antes de oficializar essa preferência, Trump lançou enquetes em sua rede social, Truth Social, com diferentes sugestões, como “Inteligência Superior”, “Inteligência Extrema” e “Inteligência Suprema”, até optar por “Superinteligência”. Ele ainda declarou que quem continuar usando o termo original será tratado como adversário, o que gerou controvérsia.
Reação de especialistas
Especialistas em tecnologia e inteligência artificial enxergam a iniciativa como uma manobra política e de marketing, sem respaldo técnico ou científico. Anderson Soares, fundador do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás, aponta que o conceito de inteligência, incluindo a artificial, ainda não tem definição exata e que a mudança parece mais uma tentativa de paralisar o avanço tecnológico do que um avanço real.
Cleber Zanchettin, professor da Universidade Federal de Pernambuco, destaca que o discurso de Trump na ONU soa como uma estratégia para chamar atenção, sem impacto prático. Já Allan Pscheidt, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, compara a proposta à corrida espacial, interpretando-a como um sinal dos EUA para reafirmar sua liderança na busca pela chamada AGI (Inteligência Artificial Geral), tecnologia ainda não comprovada cientificamente.
Contexto e recepção pública
A população, no geral, ainda está assimilando o que é a inteligência artificial básica, e a introdução de termos como “superinteligência” pode aumentar o medo e a rejeição à tecnologia. Pesquisa do Pew Research Center indica que 52% dos brasileiros estão mais preocupados que animados com o avanço da IA, sentimento semelhante observado em pesquisas nos EUA.
O termo “inteligência artificial” foi criado em 1955 por pesquisadores que buscavam definir máquinas capazes de realizar tarefas que exigem inteligência humana. Desde então, a tecnologia evoluiu e se popularizou, presente em diversos dispositivos do cotidiano, como reconhecimento facial, carros semiautônomos e assistentes virtuais.
Para Soares, as novidades tecnológicas passam por fases de medo, aceitação e, finalmente, compreensão, o que deve ocorrer com a IA. A proposta de Trump, portanto, é vista por especialistas mais como uma tentativa de posicionamento político do que uma mudança conceitual ou técnica válida.
