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A história por trás das abelhas africanizadas e a revolução na apicultura brasileira

A história por trás das abelhas africanizadas e a revolução na apicultura brasileira
◈ Contexto

Conheça como um acidente com abelhas africanas trouxe desafios e avanços para a produção de mel no Brasil.

Em 1957, um episódio inesperado marcou a trajetória da apicultura no Brasil: a introdução acidental das abelhas africanizadas, descendentes do cruzamento entre abelhas africanas e europeias. Essa história está ligada ao engenheiro agrônomo Warwick Estevam Kerr, que buscava aprimorar a produção de mel no país.

Kerr viajou à África em 1956 para estudar a apicultura local e trouxe ao Brasil 51 rainhas da espécie Apis mellifera scutellata, conhecida pela alta produtividade, mas também pelo comportamento defensivo. As colmeias foram inicialmente isoladas em Rio Claro, porém, devido à remoção inadvertida das telas de proteção por um funcionário, algumas rainhas escaparam, cruzando-se com abelhas europeias e dando origem às abelhas africanizadas.

Essas abelhas se espalharam rapidamente pelo território brasileiro, apresentando maior agressividade e causando preocupação entre apicultores e a população. O medo gerado pela reação defensiva das colônias, que atacavam em grandes grupos e a distâncias maiores, resultou na fama negativa das chamadas “abelhas assassinas”. Muitos apicultores abandonaram a atividade por falta de preparo e equipamentos adequados para lidar com elas.

No entanto, com o tempo, técnicas específicas de manejo foram desenvolvidas para controlar a agressividade das abelhas africanizadas. A criação de equipamentos de proteção, o distanciamento das colmeias de áreas residenciais e a seleção genética para rainhas mais dóceis transformaram a situação. Essa adaptação possibilitou que o Brasil se tornasse um dos maiores produtores e exportadores de mel e própolis do mundo.

Além das abelhas africanizadas, Kerr também contribuiu significativamente para o estudo das abelhas sem ferrão, especialmente na região Norte do país. Sua carreira acadêmica e científica, marcada por desafios políticos e prisões durante a ditadura, consolidou-o como um dos maiores nomes da ciência brasileira.

Hoje, apesar do impacto inicial do acidente com as abelhas, a iniciativa de Kerr é reconhecida por ter impulsionado avanços importantes na apicultura nacional, beneficiando produtores e fortalecendo a pesquisa no setor.

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