Especialista destaca que cuidados desde a puberdade impactam a saúde na maturidade e longevidade.
A saúde da mulher durante o período reprodutivo, que vai da primeira menstruação até a menopausa, funciona como um importante indicador para identificar riscos de doenças crônicas que podem surgir na vida adulta e na velhice. Essa é a avaliação da médica epidemiologista Zhang Cuilin, referência internacional na área e professora da National University of Singapore.
Segundo a especialista, eventos como ciclos menstruais irregulares e complicações na gravidez, como hipertensão e diabetes gestacional, sinalizam fatores de risco que merecem atenção precoce. “O ciclo menstrual reflete o estado geral da saúde e pode antecipar o risco para doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, câncer de mama e até morte prematura”, explica Zhang.
Um dos pontos destacados é o diabetes gestacional, que aumenta em dez vezes a chance de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro. No entanto, a médica ressalta que intervenções no estilo de vida podem reverter esse quadro. Praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada, controlar o peso, evitar o tabaco e consumir álcool com moderação são medidas que reduzem em até 90% o risco de doenças crônicas.
Sobre a alimentação, a especialista recomenda a adoção de uma dieta baseada em plantas, rica em legumes, verduras, frutas e grãos, com pouca carne vermelha. Essa mudança, se feita entre os 20 e 40 anos, pode ampliar a expectativa de vida em até dez anos, enquanto a adoção após os 60 anos garante um ganho de oito anos.
Zhang reforça que a saúde da mulher tem impacto direto nas famílias e na sociedade, e por isso deve ser prioridade em políticas públicas e na formação dos profissionais da saúde. Além disso, destaca a importância de tornar o conhecimento científico acessível para o público feminino desde a adolescência, promovendo o autocuidado e a prevenção.
