Nenhum dos principais candidatos ao Senado por SP propõe controlar conteúdos misóginos nas redes sociais para prevenir violência contra a mulher.
Em entrevista recente, nove dos principais candidatos ao Senado por São Paulo, conforme pesquisa Datafolha de agosto, não citaram a regulação das redes sociais como estratégia para combater a violência contra a mulher. O tema tem ganhado atenção diante do aumento dos feminicídios e da disseminação de perfis que promovem a submissão feminina em plataformas digitais.
As propostas apresentadas pelos candidatos focaram principalmente em medidas punitivas, como o aumento das penas, criação de delegacias especializadas e o uso de tornozeleiras eletrônicas. No entanto, nenhuma delas abordou a necessidade de controlar a propagação de discursos misóginos nas redes sociais, que segundo especialistas, atuam como um combustível para a violência.
Prevenção além da punição
Para Bruna Camilo, pesquisadora em gênero e misoginia, o combate efetivo à violência contra a mulher deve começar pela prevenção. Ela destaca que apenas punir não é suficiente e que é fundamental implementar políticas públicas que desestimulem a radicalização do ódio contra as mulheres, que se manifesta fortemente nas redes sociais.
Bruna ressalta que as plataformas digitais mantêm algoritmos que favorecem a disseminação de conteúdos misóginos, como vídeos e canais que reforçam a cultura da masculinidade tóxica. Um exemplo citado foi a viralização, no TikTok, de vídeos que simulavam agressões contra garotas que recusassem pedidos de namoro.
Além da regulação, a pesquisadora defende a importância da educação sobre consentimento para meninos e meninas, para combater a aceitação da violência dentro dos relacionamentos. Ela alerta que, enquanto não houver uma política eficaz para controlar esses conteúdos, a violência continuará sendo alimentada por esse ambiente digital.
Casos recentes, como o do tenente-coronel da PM que assassinou a esposa, também policial, ilustram a influência dessas ideologias misóginas, com trocas de mensagens que reforçavam a ideia de dominação masculina e submissão feminina. Bruna Camilo, autora do livro “Machosfera”, afirma que a ausência de regulação contribui para a perpetuação desse ciclo de violência.
