Miriam Leitão destaca que os recentes passos do presidente do STF são importantes, mas insuficientes para conter a crise na Corte.
A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) alcançou um novo patamar, segundo a comentarista Miriam Leitão, que analisou os desdobramentos recentes no Bom Dia Brasil desta quinta-feira (10). Embora reconheça a relevância das ações tomadas pelo presidente da Corte, Edson Fachin, ela ressalta que elas não são suficientes para resolver os conflitos internos.
Na quarta-feira (9), Fachin suspendeu decisões relacionadas ao comando da Polícia Federal, revertendo nomeações feitas pelos ministros André Mendonça e Flávio Dino, e manteve Andrei Rodrigues na direção-geral da corporação. Além disso, retirou de Alexandre de Moraes a relatoria do inquérito das fake news e determinou que futuras investigações envolvendo ministros do STF passem pela presidência da Corte.
Miriam observou que essas medidas ocorreram após a crise já ter atingido níveis elevados, e que Fachin utilizou os poderes da presidência do STF para tentar reorganizar a situação. No entanto, ela enfatizou que essas ações ainda não solucionam todos os problemas enfrentados pela Corte.
Reunião inédita e pronunciamento cancelado
Outro ponto de destaque é a sessão plenária marcada para terça-feira (15), quando os ministros vão analisar questões relacionadas à investigação sobre Alexandre de Moraes e as mensagens trocadas com Daniel Vorcaro. Para Miriam, essa reunião é inédita por colocar os próprios ministros em posição de decidir sobre uma possível investigação interna.
Também chamou atenção o cancelamento do pronunciamento de Moraes, previsto para quinta-feira, que seria uma oportunidade para o ministro esclarecer pontos sobre as mensagens e a retirada da relatoria do inquérito. A fala foi adiada, aumentando a expectativa em torno da sessão da próxima semana.
Investigação sobre financiamento do filme ‘Dark Horse’
Miriam ainda comentou a operação da Polícia Federal que apura o uso irregular de recursos públicos ligados ao filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, tem entre os alvos o deputado federal Mario Frias (PL-SP), e foca no possível uso indevido de emendas parlamentares para o financiamento da produção.
Para a comentarista, a origem dos recursos públicos é uma questão central nesse caso, que se soma ao clima de tensão já instalado no STF, indicando que a crise institucional ainda está longe de ser superada.
