Chaules Pozzebon, acusado de liderar esquema de desmatamento ilegal, teve pena reduzida pelo TJ-RO após recurso.
A Justiça de Rondônia reduziu a pena do empresário Chaules Volban Pozzebon, conhecido por sua atuação no setor madeireiro e apontado como um dos maiores desmatadores do país. Originalmente condenado a mais de 99 anos de prisão, a pena foi revisada para 70 anos, 11 meses e 19 dias pela 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do estado.
Chaules foi condenado por liderar uma organização criminosa que incluía policiais ativos e reservistas, além de outros envolvidos. O grupo controlava o acesso a áreas de extração ilegal de madeira na região de Ariquemes, por meio de uma porteira armada na chamada “Estrada no Chaules”, onde cobravam pedágios para permitir a passagem.
O esquema criminoso contava com uma estrutura organizada, incluindo funções como gerente de contas, coordenadores financeiros e de vigilância, além de equipes armadas responsáveis pela segurança dos locais de extração. A investigação que levou à prisão de Chaules em 2019 foi resultado da Operação Deforest, motivada por denúncias de moradores do Vale do Jamari que relataram ameaças e extorsões.
O processo judicial foi marcado por sua complexidade, com 36 dias de audiências e 96 testemunhas ouvidas, o que levou o tribunal a considerar o caso como histórico. A análise dos recursos resultou na exclusão de algumas acusações de extorsão, o que contribuiu para a redução da pena do madeireiro e de outros 11 envolvidos.
A defesa de Chaules informou que pretende recorrer da decisão para tentar validar o voto divergente do relator, que propôs uma pena significativamente menor, de 17 anos, além da absolvição da maior parte das acusações.
