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Estudo da Oxfam revela concentração de renda e poder no topo da sociedade brasileira

Estudo da Oxfam revela concentração de renda e poder no topo da sociedade brasileira
◈ Contexto

Relatório destaca aumento da concentração de riqueza e desigualdades de gênero e raça no Brasil em 2023.

Um novo estudo da Oxfam Brasil mostra que, apesar de avanços na redução da pobreza, a desigualdade no país permanece alta, com o 1% mais rico concentrando quase um quarto da renda nacional e mais de um terço da riqueza declarada em 2023.

Segundo o relatório “Um Retrato das Desigualdades Brasileiras: Poder, Privilégio e a Captura da Democracia”, essa concentração não só reflete diferenças econômicas, mas também amplia o poder político e influência dos mais ricos, enquanto mulheres, pessoas negras e outros grupos historicamente excluídos seguem sub-representados nos espaços de decisão.

Os dados indicam que a renda do 1% mais rico equivale a 36,2 vezes a dos 40% mais pobres, uma disparidade que, apesar de ter diminuído desde 2012, ainda é significativa. A análise também aponta que as pesquisas domiciliares tendem a subestimar a renda dos mais ricos, pois não captam completamente ganhos com lucros e dividendos. Por isso, foram usados dados da Receita Federal que mostram que os 10% mais ricos detêm 52% da renda declarada no país.

Além da renda, a riqueza também está fortemente concentrada: o 1% mais rico possui 37,3% do patrimônio declarado, com grande parte desse patrimônio em ativos financeiros, que acumulam valor ao longo do tempo.

O estudo evidencia ainda desigualdades significativas de gênero e raça. Mulheres, que representam 44,1% dos declarantes do Imposto de Renda, recebem em média menos que os homens e acumulam menos patrimônio. A disparidade é maior entre mulheres negras, que enfrentam os menores rendimentos no mercado formal e informal, dificultando a poupança e a construção de patrimônio.

Por fim, o relatório aponta que o sistema tributário brasileiro contribui para manter essas desigualdades, ao cobrar mais impostos sobre consumo e salários — que pesam mais sobre os mais pobres — e tributar menos patrimônio, heranças e rendimentos financeiros. A isenção do Imposto de Renda sobre lucros e dividendos, vigente desde os anos 1990, é destacada como fator que reforça a concentração de riqueza e poder no país.

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