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Famílias venezuelanas vivem em acampamentos improvisados na fronteira com o Brasil em Roraima

Famílias venezuelanas vivem em acampamentos improvisados na fronteira com o Brasil em Roraima
◈ Contexto

Cerca de 1,5 mil venezuelanos estão em situação de rua em Pacaraima, vivendo em barracas às margens da BR-174, enquanto aguardam abrigo oficial.

Em Pacaraima, município na fronteira entre Brasil e Venezuela, dezenas de famílias venezuelanas vivem em acampamentos improvisados às margens da BR-174. A situação precária reflete o aumento da migração causada pela crise econômica e social no país vizinho.

Segundo a prefeitura local, aproximadamente 1,5 mil imigrantes estão em situação de rua na cidade, o que corresponde a 22% da população total, estimada em cerca de 15 mil habitantes. O único abrigo público disponível é exclusivo para indígenas, e um novo centro de acolhimento para não-indígenas, chamado BV8, está em fase de implantação para atender até 500 pessoas.

As famílias montam suas moradias com barracas e estruturas feitas com lonas, madeira e papelão, protegidas por plástico para enfrentar a chuva e o frio noturno, que pode chegar a 16ºC. Entre os refugiados, está Angélia Aguilera, de 18 anos, que vive com o marido e o filho de um ano na rua há um mês. Eles deixaram Maturin, na Venezuela, em busca de melhores condições, fugindo da falta de emprego, alimentos e remédios.

Outro refugiado, Luiz Sereño, de 20 anos, também reside em uma barraca improvisada e destaca a gratidão pelo acolhimento brasileiro, simbolizada pelas bandeiras do Brasil que colocou em seu abrigo. Ele trabalha lavando carros em Pacaraima e envia o dinheiro para a filha que ficou na Venezuela.

Com dificuldades para manter a higiene devido à falta de banheiros públicos gratuitos, muitos imigrantes dependem de doações para alimentação e cozinham em fogões improvisados feitos com latas. A crise migratória é intensa: somente nos primeiros seis meses de 2018, mais de 16 mil venezuelanos solicitaram refúgio em Roraima, um aumento de 20% em relação ao ano anterior.

O governo federal tem promovido a interiorização desses imigrantes, transferindo-os para outras cidades brasileiras, com mais de 800 pessoas já realocadas para diversos estados. Apesar dos esforços, a presença significativa de venezuelanos em situação de vulnerabilidade continua em Roraima, especialmente em Pacaraima.

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