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Meta passa por demissões e tensão interna enquanto intensifica investimentos em inteligência artificial

Meta passa por demissões e tensão interna enquanto intensifica investimentos em inteligência artificial
◈ Contexto

Meta enfrenta cortes de até 10% do quadro e clima de insegurança, mesmo com lucro recorde e aposta bilionária em IA.

A Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, vive um cenário de instabilidade interna marcado por demissões em massa, monitoramento dos funcionários e insatisfação crescente, apesar dos altos lucros registrados recentemente. No primeiro trimestre, a empresa alcançou ganhos de quase US$ 23 bilhões, um aumento de 30% em relação ao ano anterior impulsionado principalmente pela receita de publicidade.

No entanto, para sustentar sua expansão no setor de inteligência artificial (IA), a companhia anunciou a eliminação de cerca de 8 mil vagas em 2026, equivalente a quase 10% do seu quadro total de colaboradores. Essas medidas, que também envolveram transferências internas e cortes em diversos departamentos, têm gerado um ambiente de insegurança e medo entre os funcionários.

O investimento previsto da Meta em infraestrutura de IA para este ano é de até US$ 145 bilhões, praticamente o dobro do valor aplicado em 2025. Parte desse esforço envolveu a realocação de cerca de 6.500 empregados para projetos de IA, onde muitos relataram tarefas repetitivas, como treinar sistemas que, por sua vez, automatizam processos internos.

Uma iniciativa controversa, lançada em abril e suspensa em junho, coletava dados de navegação, cliques e digitações dos funcionários para aprimorar os modelos de IA da empresa. A proposta enfrentou resistência interna, com mais de 1.600 assinaturas pedindo sua interrupção, e foi paralisada após uma falha que expôs informações privadas e métricas de desempenho para toda a equipe.

Além da pressão interna, a Meta enfrenta desafios externos, incluindo processos judiciais relacionados à dependência das redes sociais e à proteção de menores, que podem consumir recursos e tempo da companhia. Paralelamente, a empresa tenta recuperar espaço na corrida pela liderança em IA, disputando com gigantes como Google, OpenAI e Anthropic, embora seus modelos tenham sofrido atrasos e críticas internas.

Em meio a esse cenário, o cientista-chefe da Meta, Yann LeCun, reconheceu que a busca da empresa por uma “superinteligência” baseada em grandes modelos de linguagem enfrenta obstáculos significativos, classificando a estratégia como um “beco sem saída”.

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