Relatório da OCDE revela que inteligência artificial transforma o trabalho sem causar queda no emprego, mas jovens enfrentam mais desafios para iniciar carreira.
A inteligência artificial ainda não provocou uma redução generalizada no número de empregos nos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo o relatório divulgado sobre as perspectivas do mercado de trabalho para 2026.
A taxa de desemprego na região permanece baixa, em 4,9%, próximo do mínimo histórico registrado em 2023, e a previsão é de crescimento moderado do emprego nos próximos anos, com aumento estimado de 0,3% para este ano e 0,6% para o próximo.
De acordo com Mathias Cormann, secretário-geral da OCDE, apesar da adoção crescente da inteligência artificial nas empresas, não há evidências de queda significativa na demanda por mão de obra. Ele ressalta que a IA está mais transformando as habilidades exigidas do que reduzindo as oportunidades de trabalho.
Desafios para os jovens
O estudo destaca, contudo, que a entrada dos jovens no mercado de trabalho tem se tornado mais difícil, situação que pode estar relacionada aos avanços recentes da inteligência artificial generativa. A organização reúne dados de 38 países da América, Europa, Ásia e Oceania.
Além disso, o mercado de trabalho mostrou resistência diante do impacto da guerra no Oriente Médio, que elevou os preços da energia. Embora o número de vagas tenha caído desde o pico pós-pandemia, ele se estabilizou após o início do conflito.
Por fim, o relatório aponta que, apesar das perspectivas positivas, muitos trabalhadores ainda não sentem os efeitos de um mercado dinâmico, especialmente em relação aos salários, que em quase um terço dos países analisados continuam abaixo dos níveis de cinco anos atrás.
