Tratamento experimental com células modificadas no SUS mostrou resultados promissores em paciente com linfoma.
Paulo Peregrino, publicitário de 61 anos, conseguiu remissão completa do linfoma em apenas um mês após receber um tratamento experimental com terapia celular no Hospital das Clínicas de São Paulo. Após 13 anos de luta contra o câncer e prestes a iniciar cuidados paliativos, ele foi submetido à técnica conhecida como CAR-T Cell, que utiliza células do próprio paciente modificadas em laboratório para atacar o tumor.
O tratamento faz parte de um estudo conduzido pelo Centro de Terapia Celular da USP, em parceria com o Instituto Butantan e o Hemocentro de Ribeirão Preto, financiado pela Fapesp e CNPq. Até o momento, 14 pacientes receberam a terapia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com remissão de pelo menos 60% dos tumores em todos os casos e 69% apresentando remissão completa em 30 dias.
O método é direcionado para três tipos de câncer: leucemia linfoblástica B, linfoma não Hodgkin de células B e mieloma múltiplo, embora o último ainda não esteja disponível no país. Paulo recebeu alta após o tratamento e destacou a importância da fé, da ciência e da energia positiva no processo de recuperação.
Segundo o hematologista Vanderson Rocha, coordenador do estudo, a resposta rápida e significativa observada nas ressonâncias de Paulo surpreendeu a equipe médica, que esperava um resultado mais lento. A técnica é considerada revolucionária, mas ainda está em fase experimental e depende da autorização da Anvisa para aplicação em pacientes em estágio avançado.
O custo estimado da terapia chega a R$ 2 milhões por paciente na rede privada, o que torna o desenvolvimento de uma versão nacional e acessível pelo SUS uma prioridade. O Centro de Terapia Celular desenvolveu a tecnologia brasileira e, com apoio do Ministério da Saúde, planeja tratar 75 pacientes no segundo semestre de 2023, com expectativa de ampliar o acesso e reduzir custos.
Paulo seguirá em acompanhamento na capital paulista e pretende compartilhar sua experiência para incentivar outros pacientes. Sua trajetória será contada em uma autobiografia em produção, na qual destaca a combinação de fé e ciência como seu principal remédio para enfrentar a doença.
