Milhares de estudantes e professores marcham em Buenos Aires contra o corte de verbas nas universidades públicas e a falta de cumprimento da lei de financiamento.
Em Buenos Aires, mais de um milhão de estudantes e professores universitários participaram de uma grande manifestação nesta terça-feira (12) para denunciar os cortes no orçamento das universidades públicas e exigir a aplicação da lei que garante financiamento atualizado conforme a inflação. A mobilização ocorre em meio a novos ajustes anunciados pelo governo de Javier Milei, que prioriza o equilíbrio fiscal em detrimento do setor educacional.
Desde a posse de Milei, em dezembro de 2023, o investimento nas universidades caiu para o menor patamar da história argentina, com redução de quase 46% no financiamento. Os salários dos docentes perderam cerca de 34% do poder de compra, agravando a crise enfrentada por professores e pesquisadores. Atualmente, 60% dos docentes recebem menos da metade do equivalente a R$ 1.800, valor insuficiente diante do alto custo de vida no país.
O Conselho Interuniversitário Nacional, que representa as 64 universidades públicas e cerca de 2,1 milhões de alunos, lidera o protesto, acompanhado por sindicatos como a CGT e a CTA, além de organizações sociais e partidos de oposição. Eles acusam o governo de tentar desmontar a educação pública e criticam a resistência de Milei em cumprir as leis aprovadas pelo Congresso que garantem o repasse de recursos.
Em 2024 e 2025, o Congresso aprovou duas leis de financiamento universitário, ambas vetadas pelo presidente. Na última ocasião, o veto foi derrubado pelos parlamentares, mas a implementação segue travada, gerando ações na Justiça que já decidiram a favor das universidades, com o caso agora na Suprema Corte. O governo busca adiar o impacto fiscal estimado em 0,23% do PIB.
Além das demandas específicas da educação, a manifestação expressa uma insatisfação mais ampla da população com o governo Milei, que enfrenta alta rejeição em pesquisas recentes. Problemas como corrupção, desemprego e inflação estão entre as principais preocupações dos argentinos, refletindo a crise econômica e social que afeta diferentes setores.
Outro efeito da crise é a fuga de cérebros: mais de 10 mil professores e pesquisadores deixaram o ensino público desde o início do governo, migrando para o setor privado ou deixando o país. Instituições como a Universidade Tecnológica Nacional e a Universidade de Buenos Aires registraram perdas significativas no corpo docente, comprometendo a qualidade do ensino e da pesquisa.
