Segmento de terapias genéticas e celulares cresce rapidamente, com avanços promissores e desafios éticos.
A biologia se destaca como a nova fronteira da inovação científica, superando o protagonismo da física do século XX. A terapia celular e genética, que envolve técnicas para modificar genes e tratar doenças antes incuráveis, é um dos setores que mais crescem na indústria farmacêutica, com previsão de salto de US$ 7 bilhões em 2021 para US$ 58 bilhões em 2026, equivalente a mais de R$ 300 bilhões.
Entre as tecnologias em destaque estão as terapias gênicas, que alteram o DNA das células, e as terapias de RNA, que atuam sem modificar permanentemente o material genético. Um exemplo conhecido é a vacina contra Covid-19 da Pfizer, que utiliza o RNA mensageiro para orientar a produção de proteínas que combatem o vírus.
Pesquisas recentes mostram avanços que até pouco tempo pareciam ficção científica, como uma vacina experimental capaz de eliminar tumores cerebrais e estimular o sistema imunológico a prevenir o retorno do câncer. Desenvolvida no Brigham and Women’s Hospital, ligado à Harvard University, essa terapia utiliza engenharia genética para transformar células cancerosas em agentes que ativam a resposta imune contra o tumor.
O setor de biotecnologia concentra investimentos principalmente na oncologia, seguido por tratamentos para doenças do sistema nervoso central e distúrbios oftalmológicos. No Brasil, a Anvisa já aprovou produtos como o Zolgensma, para atrofia muscular espinhal, o Luxturna, para distrofias hereditárias da retina, e o Kymriah, voltado para cânceres hematológicos. Com a expansão do mercado, espera-se o desenvolvimento de terapias para condições mais comuns, como níveis elevados de colesterol.
Contudo, o avanço dessas tecnologias levanta questões sobre acesso e desigualdade. Estudos recentes publicados na revista The Lancet destacam que fatores socioeconômicos e discriminações históricas contribuem para disparidades em saúde, que não podem ser reduzidas a aspectos genéticos. O desafio é garantir que os benefícios da terapia celular e genética alcancem toda a população, evitando que se tornem privilégio exclusivo de grupos abastados.
