André Mendonça substitui prisão de Romeu Antunes por tornozeleira eletrônica e restringe contato com investigados na operação da PF.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça revogou a prisão preventiva de Romeu Carvalho Antunes, filho do conhecido como “Careca do INSS”, investigado pela Polícia Federal na operação que apura fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). No lugar da prisão, Mendonça determinou o uso de tornozeleira eletrônica e proibiu qualquer contato entre Romeu e os demais envolvidos no caso, incluindo testemunhas.
Segundo a PF, Romeu assumiu o papel de principal operador administrativo do esquema após a prisão do pai, Antônio Carlos Antunes, também conhecido como Careca do INSS. Ele teria participado da lavagem de dinheiro, criação de empresas de fachada e movimentação de recursos em espécie, além de comandar reuniões com notários nos Estados Unidos e organizar a estrutura de funcionários ligada ao esquema.
A investigação aponta que Romeu tornou-se sócio de pelo menos quatro empresas relacionadas ao pai e teve um aumento expressivo de renda entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2024, passando de um salário mensal de R$ 1,6 mil para R$ 107,6 mil, valor incompatível com sua trajetória profissional anterior e que coincide com sua entrada nas sociedades empresariais do pai.
Na mesma decisão, Mendonça também revogou a prisão do ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, que agora cumprirá medidas restritivas como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de contato com investigados e acesso às instalações do INSS e da Dataprev. Virgílio foi preso em novembro do ano passado sob suspeita de receber R$ 11,9 milhões por meio de empresas ligadas ao esquema de descontos irregulares em aposentadorias.
Além desses casos, o ministro determinou a substituição da prisão preventiva por monitoramento eletrônico para Samuel Bomfim Júnior, apontado como operador financeiro do grupo, e revogou o uso de tornozeleira para outras figuras envolvidas, alegando que as investigações avançaram e não justificam mais as medidas restritivas anteriores.
