Escavações em Loulé descobriram um hammam medieval, único no país, agora aberto ao público como museu.
Durante uma reforma em um antigo casarão no sul de Portugal, arqueólogos encontraram um hammam — uma casa de banhos pública do período islâmico com cerca de 900 anos. A descoberta, feita em Loulé, é a única desse tipo já registrada em território português e trouxe nova visibilidade para a história local.
O imóvel foi adquirido pela Câmara Municipal de Loulé em 2006, e, embora os arqueólogos suspeitassem da presença de vestígios relevantes, ninguém esperava um hammam tão bem preservado sob o edifício. As escavações duraram vários anos até que a função da estrutura fosse confirmada.
Esses banhos públicos eram comuns no período de Al-Andalus, quando parte da Península Ibérica esteve sob domínio muçulmano. Além de promoverem a higiene, os hammams também funcionavam como espaços sociais importantes nas comunidades da época.
Em 2022, o local foi transformado em museu e, no ano seguinte, recebeu o título de Monumento Nacional. O arqueólogo Rui de Almeida destacou que o sítio se tornou o principal ponto turístico arqueológico aberto à visitação em Portugal, colocando Loulé na rota do turismo cultural.
Com cerca de 15 mil habitantes, Loulé mantém outras marcas da presença islâmica, como o castelo do século VIII e o mercado municipal com arquitetura mourisca. O nome da cidade tem origem árabe, significando “a superior”, em referência à sua localização geográfica.
Além disso, a influência moura segue presente em outras tradições portuguesas, como a produção artesanal de azulejos hispano-mouriscos em Faro, feita com técnicas tradicionais que remontam à época do domínio muçulmano na Península Ibérica.
