Governo mexicano determina o fim das escolas com ensino militar, após casos graves e pressão por mudanças no sistema.
O México está eliminando o modelo militarizado em suas escolas, uma mudança impulsionada por uma ordem da Secretaria da Educação Pública (SEP) e apoiada pela presidente Claudia Sheinbaum. A decisão veio após a morte de uma estudante em um acampamento militar, que gerou comoção nacional e investigações por possíveis abusos.
Instituições como o Colégio Moderno Alarid, na Cidade do México, que antes seguiam rígidos protocolos militares, agora adotam uniformes e práticas civis, mantendo apenas valores considerados universais, como disciplina e honra. O diretor Óscar Lira, ex-aluno e membro de uma família militar, destaca o desafio de preservar esses princípios sem a estrutura militar tradicional.
Desde a proibição, entre 20 e 50 escolas desse tipo, que atendiam cerca de 10 a 20 mil estudantes, tiveram que se reformular, e muitas enfrentaram queda significativa nas matrículas, com algumas sendo fechadas. Em cidades como Puebla e Zacatecas, pais de alunos protestaram contra as mudanças, alegando que a educação militarizada oferece disciplina e valores importantes para seus filhos.
Casos trágicos recentes, como os falecimentos de estudantes em ambientes militarizados, evidenciaram problemas graves relacionados a abusos e práticas violentas, motivando a fiscalização e o fechamento de algumas instituições. No entanto, as escolas militares oficiais, ligadas diretamente às Forças Armadas, permanecem e gozam de prestígio e respeito na sociedade mexicana.
O contexto cultural do México, marcado por forte nacionalismo e tradições militares, torna a transição complexa. Cerimônias cívico-militares e símbolos nacionais continuam presentes no cotidiano escolar e social, reforçando o vínculo histórico do país com as Forças Armadas.
Especialistas apontam que a desmilitarização das escolas privadas busca separar práticas abusivas da educação, preservando os valores positivos da ética militar adaptados ao ambiente civil. O desafio é construir um modelo educacional que respeite a cultura local, sem replicar métodos rígidos e potencialmente prejudiciais.
