Anne Basting desenvolveu método inovador que valoriza a comunicação e a criatividade com idosos que enfrentam declínio cognitivo.
Em vez de insistir em perguntas que dependem da memória, que muitas vezes frustram tanto quem cuida quanto quem tem demência, a professora Anne Basting propõe uma forma diferente de se conectar com essas pessoas. Fundadora da organização Time Slips, ela aposta em conversas livres e atividades criativas para promover interação e bem-estar.
Anne, que é professora na Universidade de Wisconsin Milwaukee e autora de livros sobre cuidados com idosos, conta que sua experiência inicial em instituições de longa permanência foi impactante. Com pacientes muitas vezes sedados e ambientes pouco estimulantes, ela percebeu a necessidade de encontrar uma abordagem que valorizasse o presente e a criatividade, em vez de focar na memória perdida.
O método surgiu a partir de um jogo simples: mostrar imagens e convidar os idosos a inventar histórias, nomes ou lugares relacionados à figura apresentada. Essa técnica gerou momentos de alegria, cantoria e risadas, transformando a interação em algo significativo e prazeroso para todos os envolvidos.
Ao longo de 20 anos, Anne tem treinado cuidadores e familiares para aplicar essa prática, que ajuda a estabelecer uma conexão genuína. Segundo ela, é fundamental aceitar a realidade atual da pessoa com demência para oferecer um cuidado de qualidade, que melhora o humor e a qualidade de vida do paciente e proporciona maior satisfação para quem cuida.
Hoje, além de pesquisadora, Anne também cuida da própria mãe, que apresenta sinais de declínio cognitivo, e reforça a importância de não isolar quem vive com demência, mas sim acolher e celebrar sua presença e criatividade.
