Fundada por portugueses e impulsionada por nordestinos, Campos do Jordão se destaca como um dos principais destinos turísticos do Brasil.
Conhecida como a “Suíça brasileira”, Campos do Jordão é famosa por seu clima frio, arquitetura inspirada na Europa e belas paisagens naturais. No entanto, sua história revela uma forte influência brasileira, marcada pela presença de portugueses e nordestinos que contribuíram para o desenvolvimento da cidade.
Fundada em 1874 pelo português Matheus da Costa Pinto, a cidade nasceu como uma fazenda de gado na Serra da Mantiqueira. A ocupação acelerou na década de 1920, quando Campos do Jordão passou a receber pacientes com tuberculose, atraídos pelo clima ameno e pelo ar puro, antes da existência de tratamentos eficazes para a doença.
O turismo local teve início nesse período, impulsionado pelas visitas de familiares e amigos dos pacientes. Com o tempo, a atividade sanatorial declinou, mas o turismo se consolidou como a principal fonte econômica da cidade, que espera receber cerca de 6 milhões de visitantes em 2026, sendo 2,2 milhões apenas durante o inverno.
A arquitetura da cidade reflete uma mistura de estilos europeus, com chalés em estilo suíço, construções inspiradas na arquitetura Tudor inglesa e técnicas como o enxaimel, que destaca estruturas aparentes nas fachadas. Essa diversidade resulta da influência de migrantes estrangeiros, principalmente após a Segunda Guerra Mundial.
O desenvolvimento da infraestrutura de Campos do Jordão teve grande contribuição portuguesa, especialmente com a construção da Estrada de Ferro Campos do Jordão em 1914, liderada por Sebastião de Oliveira Damas e sua equipe de trabalhadores vindos de Portugal. A comunidade portuguesa permanece ativa, preservando tradições culturais e gastronômicas.
Além dos portugueses, a cidade recebeu imigrantes alemães que chegaram após 1939, muitos deles trabalhando na hotelaria e ajudando a consolidar a gastronomia local com pratos típicos como o apfelstrudel. Na década de 1960, operários nordestinos, principalmente da Bahia, chegaram para atuar na construção civil, participando da edificação de hotéis, sanatórios e residências.
Campos do Jordão também tem forte presença de migrantes de Minas Gerais, favorecida pela proximidade geográfica e laços culturais. Já os nordestinos chegaram em um momento de expansão da construção civil, contribuindo para a formação econômica e social da cidade, que hoje acolhe famílias com raízes diversas e histórias entrelaçadas.
