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Canabinoides ganham espaço como alternativa no tratamento da dor crônica e oncológica

Canabinoides ganham espaço como alternativa no tratamento da dor crônica e oncológica
◈ Contexto

Estudos recentes indicam que derivados da Cannabis podem ajudar a reduzir o uso de opioides e melhorar qualidade de vida em pacientes com dor.

O uso de canabinoides no manejo da dor, especialmente em casos crônicos e oncológicos, tem atraído cada vez mais atenção da comunidade médica. Especialistas destacam que essas substâncias, extraídas da planta Cannabis sativa, podem ser uma opção para diminuir a dependência de opioides, medicamentos tradicionais que apresentam alto risco de vício.

Mariana Mafra Junqueira, médica especialista em dor, explica que o interesse pelos canabinoides cresceu nos últimos anos, embora a pesquisa ainda precise avançar para oferecer evidências mais robustas. Ela ressalta que esses compostos não apenas atuam na redução da dor, mas também auxiliam no controle da ansiedade e na melhora do sono, fatores essenciais para a qualidade de vida dos pacientes.

O cérebro humano possui receptores específicos (CB1 e CB2) que são ativados pelos canabinoides naturais do organismo, chamados endocanabinoides. Os fitocanabinoides, como o CBD (canabidiol) e o THC (tetraidrocanabinol) presentes na maconha, conseguem estimular esses receptores, promovendo efeitos terapêuticos variados. O CBD tem propriedades anti-inflamatórias, ansiolíticas e imunomoduladoras, enquanto o THC ajuda a aliviar sintomas como náusea, perda de apetite e espasticidade.

Durante a 4ª Jornada de Canabinoides, realizada pela Associação Paulista de Medicina, especialistas destacaram o chamado “efeito entourage”, que ocorre quando os diversos compostos da planta atuam em conjunto, potencializando os benefícios. Produtos conhecidos como “full spectrum” contêm todos os componentes da Cannabis, enquanto os “broad spectrum” possuem níveis muito baixos ou nenhum THC, além do canabidiol isolado.

Para a psiquiatra Ana Gabriela Hounie, a medicina canabinoide representa uma revolução, especialmente no tratamento de doenças neurodegenerativas como Parkinson, esclerose múltipla e demências. Apesar da escassez de estudos e do pouco interesse da indústria farmacêutica, muitas famílias relatam melhorias significativas na qualidade de vida dos pacientes.

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