Estudo do IBGE revela alto índice de analfabetismo entre jovens com dificuldades de locomoção, mesmo sem comprometimento cognitivo.
Dados recentes do IBGE mostram que 23,3% dos jovens entre 15 e 29 anos que enfrentam limitações para caminhar ou subir degraus, mas não possuem deficiência cognitiva, são analfabetos. A taxa é muito superior à média de 1% registrada entre pessoas da mesma faixa etária sem deficiência.
O estudo “Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil” também aponta que entre aqueles com dificuldades intelectuais, o índice de analfabetismo chega a 40,4%. A análise destaca que a alfabetização pode ser dificultada por questões cognitivas, mas a ausência de adaptações adequadas no sistema escolar também contribui para esses números.
Além da matrícula, a inclusão escolar exige recursos que garantam o aprendizado e a socialização. A frequência escolar de estudantes com deficiência já é inferior à dos estudantes sem deficiência, especialmente no ensino médio. Por exemplo, entre crianças de 6 a 14 anos com deficiência severa, 95,6% estão matriculadas, contra 98,4% das sem deficiência; essa diferença aumenta para adolescentes com deficiência profunda, onde apenas 65,6% frequentam a escola, frente a 85,4% dos sem deficiência.
No que diz respeito à infraestrutura, apenas 34,5% das escolas públicas e 15,2% das particulares contam com salas de recursos multifuncionais, essenciais para o Atendimento Educacional Especializado. Banheiros adaptados estão presentes em pouco mais da metade das instituições públicas (54,8%) e em 64,4% das privadas. A presença de profissionais de apoio é ainda mais limitada, especialmente na rede privada.
O acesso ao ensino superior também cresce lentamente. Entre 2004 e 2014, o número de estudantes com deficiência matriculados aumentou de 33.377 para 95.572, impulsionado principalmente pela expansão da educação à distância, que quadruplicou a matrícula nessa população entre 2019 e 2024. No entanto, o estudo não detalha quantos concluem os cursos.
