Com a inauguração prevista para 2029, o Aeroporto Internacional de Gelephu vai facilitar o acesso ao sul do Butão, região até então pouco explorada por turistas.
O Butão, um dos países mais isolados do mundo, está prestes a transformar sua relação com o turismo. Um novo aeroporto internacional em Gelephu, na fronteira com a Índia, está sendo construído para abrir as portas do sul do país, uma região rica em biodiversidade e cultura, porém pouco visitada até agora.
Previsto para ser inaugurado em 2029, o Aeroporto Internacional de Gelephu já ganhou destaque internacional ao receber o prêmio de Projeto do Futuro do Ano no Festival Mundial de Arquitetura de 2025. O terminal terá uma estrutura de madeira local, pensada para controlar naturalmente a umidade e remeter às paisagens montanhosas da região. O espaço também oferecerá áreas dedicadas a práticas de ioga, meditação e banhos de gongos.
Com capacidade para até 123 voos diários, a nova infraestrutura vai apoiar o desenvolvimento da Cidade da Atenção Plena de Gelephu, um projeto ambicioso que visa criar um polo econômico, turístico e espiritual capaz de abrigar até um milhão de habitantes até 2060. Essa iniciativa busca diversificar o turismo, que até hoje se concentra principalmente no oeste do país, e incentivar o desenvolvimento sustentável da região sul.
O Butão mantém seu modelo de turismo controlado e de alto valor, que protege o patrimônio cultural e natural. A entrada de visitantes sempre foi limitada, com tarifas que incluem hospedagem, alimentação e transporte, e o país segue focado em preservar sua identidade única. O aeroporto de Paro, único internacional atualmente, é conhecido por sua operação complexa e número reduzido de voos, o que restringe o fluxo de turistas.
Gelephu, cercada por parques nacionais e rica em vida selvagem, como tigres, elefantes e rinocerontes, promete ser um novo destino para quem busca contato com a natureza e espiritualidade. Além de trilhas e safáris na selva, a região contará com centros de retiro budistas e uma infraestrutura turística alinhada à cultura local, incluindo hospedagens familiares e acampamentos ecológicos.
Além disso, a construção de uma ferrovia ligando Gelephu a Assam, na Índia, vai facilitar o acesso e impulsionar o intercâmbio econômico. O projeto também inclui revitalização do centro histórico da cidade, com destaque para a gastronomia regional e artesanato tradicional, reforçando a diversidade cultural do sul do Butão.
O rei Jigme Khesar Namgyel Wangchuck, que acompanha de perto o desenvolvimento do projeto, acredita que essa nova fase poderá trazer benefícios duradouros para o país, ao mesmo tempo que oferece aos visitantes uma experiência autêntica e transformadora.
