Quase 10 mil km² da floresta amazônica foram destruídos até outubro, com o Pará liderando o desmatamento na região.
O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) registrou que, entre janeiro e outubro de 2022, a Amazônia perdeu quase 10 mil km² de sua floresta, área equivalente a mais de seis vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), esse é o segundo maior índice dos últimos 15 anos, ficando apenas 0,5% abaixo do registrado no mesmo período em 2021.
O Pará se destacou negativamente, respondendo por 351 km² desmatados em outubro, o que representa 56% do total amazônico naquele mês. A destruição avançou sobre áreas protegidas, incluindo sete das dez unidades de conservação e quatro das dez terras indígenas mais afetadas na Amazônia. A Floresta Estadual do Paru, no norte do estado, figura entre as unidades de conservação mais impactadas. Essa região ganhou destaque internacional após a descoberta da maior árvore da Amazônia, um angelim-vermelho com 88,5 metros de altura e 9,9 metros de circunferência.
A Floresta do Paru integra o maior bloco contínuo de áreas protegidas do mundo e possui grande potencial para ecoturismo e extrativismo sustentável, que podem gerar renda preservando a floresta em pé, destaca Jakeline Pereira, pesquisadora do Imazon e conselheira da unidade de conservação.
Dentro das terras indígenas, o território Apyterewa, no Pará, concentrou 46% da área desmatada em outubro, sendo alvo constante de invasões ilegais. Essa situação agrava as emissões de gases de efeito estufa, já que a Amazônia responde por 77% das emissões derivadas da mudança do uso da terra no Brasil, que atualmente é o quinto maior emissor mundial.
Além do desmatamento, a degradação florestal por queimadas e exploração madeireira também aumentou significativamente, passando de 537 km² em outubro de 2021 para 1.519 km² em 2022, um crescimento de 183%. Mato Grosso e Pará foram os estados com maior contribuição para essa degradação.
Os incêndios não só prejudicam o meio ambiente como representam risco à saúde pública, especialmente para crianças e idosos, devido à fumaça que pode se espalhar por longas distâncias, afetando outras regiões do país, alerta Bianca Santos, pesquisadora do Imazon.
