Médico alerta que o declínio cognitivo não é inevitável e destaca a necessidade de exames regulares para detectar riscos e agir antes dos sintomas.
O declínio cognitivo não deve ser encarado como um processo natural e inevitável, afirma o neurologista David Dodick, professor emérito da Mayo Clinic. Para ele, a falta de um check-up cerebral rotineiro representa uma derrota da medicina e pode transformar a longevidade em um problema, não em um benefício.
Dodick destacou que as doenças do cérebro atingem uma em cada três pessoas e lideram como causa de incapacidade, superando outras doenças crônicas como diabetes e hipertensão, que também estão em crescimento. Segundo o especialista, 80% dos casos de AVC e 40% dos de demência poderiam ser evitados com prevenção adequada.
Entre os principais fatores de risco para demência, ele listou hipertensão, diabetes, obesidade, perda auditiva, poluição, consumo excessivo de álcool, traumas cranianos, isolamento social, depressão, tabagismo, sedentarismo e baixa escolaridade. No Brasil, o cenário é preocupante: o país tem 17 milhões de diabéticos, 30 milhões com hipertensão e mais de 22% da população obesa, enquanto menos da metade pratica atividade física regularmente.
O Alzheimer, que afeta cerca de 10% dos idosos acima dos 65 anos, apresenta uma fase silenciosa de até 20 anos antes dos sintomas aparecerem, o que abre uma janela para diagnóstico precoce e intervenções que podem retardar a progressão da doença. Por isso, Dodick enfatiza a importância de exames abrangentes que avaliem aspectos como visão, audição, equilíbrio, fala e sono, além de exames de sangue e imagens neurovasculares.
O especialista também ressaltou o impacto negativo da privação de sono na saúde cerebral, alertando que a insônia é um fator de risco tratável. Além disso, citou medicamentos usados no controle do diabetes, como metformina e inibidores SGLT2, que têm efeito neuroprotetor e ajudam a reduzir o risco de Alzheimer.
Para preservar a função cognitiva, Dodick recomenda ainda o treinamento mental, exemplificado pelo Teste de Stroop, que desafia a capacidade de focar na cor da palavra em vez de seu significado. Ele defende uma integração entre as áreas de neurologia, cardiologia e diabetes para enfrentar os desafios das doenças cerebrais de forma coordenada e eficiente.
