A série The Last of Us mostra uma infecção fúngica que transforma pessoas em zumbis, mas será que isso poderia acontecer na vida real?
A série The Last of Us, sucesso da HBO, retrata um mundo pós-apocalíptico dominado por uma pandemia causada por fungos do gênero Cordyceps que transformam humanos em zumbis. Embora o cenário seja ficcional, os fungos representados existem de verdade e infectam insetos, controlando seu comportamento para se espalharem.
Na natureza, os fungos Cordyceps invadem o corpo das formigas, assumem o controle de seu sistema nervoso e as forçam a subir em locais altos para liberar esporos e infectar outras vítimas. Após consumir o hospedeiro por dentro, um corpo fúngico emerge da cabeça do inseto para dispersar os esporos. No entanto, essa espécie de fungo ataca apenas algumas formigas, não humanos.
Especialistas explicam que a temperatura corporal humana e a complexidade do sistema nervoso dificultam que fungos como o Cordyceps consigam infectar e controlar pessoas. Além disso, esses fungos evoluíram para se especializar em hospedeiros específicos, tornando improvável que consigam saltar para humanos e causar uma pandemia semelhante à da série.
Apesar disso, infecções fúngicas representam uma ameaça real à saúde pública. A Organização Mundial da Saúde (OMS) listou 19 fungos com potencial para causar doenças graves em humanos, como a Candida auris, o Cryptococcus neoformans e o Mucormycetes, conhecido como fungo negro. Essas espécies podem causar infecções resistentes a tratamentos e levar a altas taxas de mortalidade.
A Candida auris, por exemplo, é um fungo resistente a múltiplos medicamentos que pode causar infecções sanguíneas fatais e tem se espalhado em hospitais pelo mundo. Já o Cryptococcus neoformans pode provocar meningite grave, enquanto o Mucormycetes ataca rapidamente tecidos do rosto e do cérebro, podendo ser fatal e desfigurante.
Especialistas alertam que, embora uma pandemia fúngica como a retratada em The Last of Us seja improvável, a subestimação das infecções fúngicas e o aumento das condições que favorecem seu surgimento, como mudanças climáticas e maior movimentação global, tornam fundamental o investimento em prevenção, diagnóstico e tratamento dessas doenças.
