Iniciativa em Serra Talhada promove produção sustentável e recuperação ambiental da Caatinga, beneficiando dezenas de famílias.
No distrito de Caiçarinha da Penha, em Serra Talhada (PE), um projeto socioambiental vem transformando a vida de cerca de 40 famílias por meio da agroecologia e do reflorestamento da Caatinga. Criado em 2019, o Instituto Serra Grande reúne mulheres agricultoras que produzem doces, geleias e conservas com frutos nativos, enquanto contribuem para a recuperação de áreas degradadas do bioma.
Lucineide Ferraz, uma das agricultoras envolvidas, destaca a importância da Caatinga para a comunidade e para sua vida pessoal. Ela e suas colegas aproveitam frutos como umbu, caju e plantas como alecrim do mato para elaborar produtos artesanais vendidos em feiras locais e pela internet. A produção diária chega a 50 potes, com preços entre R$ 8 e R$ 30, e todo o processo valoriza a agricultura familiar e o uso sustentável dos recursos naturais.
O projeto é liderado por Creuza Ferraz, agricultora familiar e presidente da Associação de Moradores da comunidade de Santana. Para ela, o trabalho artesanal fortalece a identidade local e incentiva as mulheres a conquistarem autonomia financeira. O instituto surgiu a partir de cursos do Sebrae que ensinaram técnicas para a produção de doces regionais, consolidando um negócio que respeita o meio ambiente.
A Fazenda Serra Grande, onde ocorre a produção e o reflorestamento, abrange 1.260 hectares, com 800 hectares de Caatinga preservada e 260 hectares de áreas restauradas. O coordenador do projeto, Álvaro Severo, explica que o sistema agroflorestal utilizado mistura cultivos como feijão e mandioca com espécies nativas, promovendo a recuperação do solo e o equilíbrio ecológico. Atualmente, 2,5 hectares estão dedicados a esse experimento, com planos para expandir para 200 hectares.
Além do plantio de mais de 26 mil mudas nativas, o projeto incentiva a reintrodução da fauna local para garantir a regeneração natural do bioma, processo conhecido como “recaatingamento”. Animais como pássaros, tatus e veados são soltos na região, ajudando na dispersão de sementes e na manutenção da biodiversidade. Jovens como Ivair de Lima, que mudou sua visão sobre a criação de pássaros, participam ativamente dessas ações.
O Instituto Serra Grande também promove rodas de conversa e cursos de educação ambiental para as comunidades vizinhas, fortalecendo a conscientização sobre a importância de conservar a Caatinga enquanto gera renda por meio da agroecologia. O projeto é um exemplo de como práticas sustentáveis podem mudar a paisagem e a vida no Sertão pernambucano.
