Organizações indígenas se posicionam contra a exploração petrolífera na região costeira do Amapá, destacando riscos ambientais e impactos sociais.
Grupos indígenas da Amazônia, como a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), expressaram preocupação com a exploração de petróleo pela Petrobras na bacia da Foz do Rio Amazonas, no litoral do Amapá. Em documento conjunto, alertam para os efeitos negativos no meio ambiente e nas comunidades indígenas locais.
O Ibama negou em maio a licença ambiental para o início da atividade, apontando falhas no plano da Petrobras, principalmente na proteção da fauna em caso de vazamento de óleo e na avaliação dos impactos em três terras indígenas da região de Oiapoque. A Petrobras afirmou que cumpriu todos os requisitos do órgão e ressaltou que o local da perfuração fica a 175 km da costa do Amapá e a mais de 500 km da foz do Amazonas.
As organizações indígenas criticam a contradição entre o discurso oficial de combate às mudanças climáticas e o apoio a projetos que aumentam o uso de combustíveis fósseis, agravando a crise ambiental global. Destacam ainda que preservar apenas as florestas em pé não é suficiente para evitar que a temperatura do planeta ultrapasse o limite seguro de 1,5ºC.
Renata Lod, vice-coordenadora do Conselho de Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque, explica que quatro povos vivem no litoral do Amapá: Karipuna, Galibi Marworno, Galibi Kali’na e Palikur-Arukwayene. São cerca de 13 mil indígenas distribuídos em três Terras Indígenas demarcadas, que totalizam mais de 518 mil hectares e abrigam 56 comunidades.
O Ministério de Minas e Energia recebeu a decisão do Ibama com respeito e destacou que o poço a ser perfurado tem caráter exploratório, voltado para o estudo do subsolo e das potencialidades da região. O presidente Lula declarou que ainda está avaliando o caso, embora considere improvável que a atividade cause problemas na Amazônia.
